Home Data de criação : 09/09/07 Última atualização : 11/10/17 11:25 / 13 Artigos publicados

Poesia digital  escrito em terça 15 dezembro 2009 16:22

A poesia digital tem um percurso que vai do som, da palavra e da imagem, do estático ao dinâmico, do linear ao não linear, do intertexto ao hipertexto, da apresentação impressa ou on-line, podendo ser incluído todos os recursos tecnológicos que surgiram ou que possam surgir.

É também, a reprodução no micro ou na internet do que é feito nos livros, no entanto se destaca como uma adequação dos recursos tecnológicos na produção de novos significados.

A visualidade se faz através das palavras nos versos e estrofes da poesia, com o uso de parataxe e descritividade. A imagem passa a existir na mente do leitor, que entretece significados a partir de palavras que representam aspectos da realidade em sua cultura. O vídeo acima mostra uma adaptação dos poemas concretos para o audiovisual. Os poemas são "Cinco" (José Lino Grunewald), "Velocidade" (Ronald Azeredo), "Cidade" (Augusto de Campos), "Pêndulo" (E.M. de Melo e Castro) e "O Organismo" (Décio Pignatari).



A palavra vira imagem, nada restando de seu significado através da representação convencional. Para Melo e Castro, os infopoemas resultam "da interação de três elementos: o indivíduo operador, o hardware e o software, interação sem a qual esses poemas não seriam possíveis." (Castro 1998b: 27). 


Abaixo encontra-se um link o qual possui mais um vídeo de poesia digital.

http://www.youtube.com/watch?v=JE9L_SR1FiA&feature=player_embedded


 

 

 

Fontes: http://blog.flaviogut.com/2009/07/28/poesia-digital/

http://arteonline.arq.br/museu/ensaios/ensaiosantigos/jlantonio.htm

 

permalink

Brincando com as palavras  escrito em sexta 11 dezembro 2009 17:06

Convite
José Paulo Paes

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.

Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.

As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.

Como a água do rio
que é água sempre nova.

Como cada dia
que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?

 

 

Aderimos a sugestão do professor Marciano Lopes, e a postagem de hoje será sobre Madan, um compositor brasileiro o qual musicou vários poemas infantis de José Paulo Paes.

 

Madan Madan

 

Madan é compositor, cantor e músico. Nasceu em São Paulo no ano de 1961. Desenvolve o trabalho musical desde 1981 e começou musicando poemas do livro "Canto Semental Livre" do poeta Francisco V. Albuquerque (Jales-SP). O cantor e compositor tem mais de 120 composições em parceria com vários autores, entre eles José Paulo Paes.

Madan tem quatro CDs lançados:

Madan (1997), com participação especial de Haroldo de Campos;

A ópera do Rinoceronte (1999), com José Paulo Paes, Elisa Lucinda e Ademir Assunção;

1 do 1 do  1 (2  00  1), com participação de Kléber Albuquerque, Élio Camalle e Luiz Gayotto;

 

Brincando com as palavras (2005), com participação de José Paulo Paes.

Neste site há excertos de todas as músicas do CD Brincando com as palavras: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/musica/resenha/resenha.asp?nitem=7010397&sid=114160150111211537783749125

 

Poemas para brincar - José Paulo Paes

Capa-de-Poemas-para-brincar

“Se este mundo fosse meu,
eu fazia tantas mudanças
que ele seria um paraíso
de bichos, plantas e crianças”

José Paulo Paes dizia que "é necessário brincar com as palavras como se brinca com bola, papagaio e pião..."

 

Imagem-de-um-piao
“Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio e pião”

 

Brincar com as palavras significa que as crianças também tem que se divertir com imagens, se encantar com as rimas e se deslumbrar com as histórias. José Paulo Paes se propôs a isso. As palavras são brinquedos que não morrem com o passar do tempo e que também não caem de moda. São as palavras que nos permitem conquistar o amor de nossas vidas, conseguir o primeiro emprego, comprar o carro...

Imagem-de-dois-homens-pescando

 

“Um homem
que se preocupava demais
com coisas sem importância
acabou ficando com a cabeça cheia de minhocas.
Um amigo lhe deu então uma idéia
de usar as minhocas
numa pescaria
para se distrair das preocupações”

 

Desenho-de-detetive-olhando-numa-lupa

 

 

“Se você for detetive,
faça um bom trabalho:
me encontre o dentista
que arrancou o dente do alho
e a vassoura sabida
que deixou a louca varrida”

Música e poesia têm afinidade e o histórico de ambas é sempre entrecruzado. A grande mágica que faz de uma composição poesia na verdade não depende só de seus versos, mas da combinação de letra e música. Além da junção letra e melodia o interprete também tem grande importância na música poema. É através dele que o público irá sentir cada música.

 

 

 

Fontes: http://www.mpbnet.com.br/musicos/madan/index.html

http://www.revista.agulha.nom.br/jpaulo1.html

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/musica/resenha/resenha.asp?nitem=7010397&sid=114160150111211537783749125

http://www.guiaentradafranca.com.br/noticia.php?idUrl=318

http://www.dabliudiscos.mpbnet.com.br/catalogo/db0072/index.html

permalink

Amílcar de Castro - Poesia e Escultura  escrito em segunda 23 novembro 2009 15:57

Ao analisar um artigo da Profa. Dra. Maria Heloísa Martins Dias, que trata do poema Corte e Dobra (Amílcar de Castro), percebemos que cabe exatamente neste blog, visto que apresenta a relação desse poema do autor com duas de suas esculturas.

 

 

Antes de mais nada, Amílcar Augusto Pereira de Castro (1920 - 2002) foi um escultor, artista plástico e designer gráfico brasileiro. Além de poeta, é claro. Se formou em Direito pela UFMG em 1945.

 “Escultura é a descoberta da forma do silencio onde a luz guarda a sombra e comove.”

 

 A seguir, o poema Corte e Dobra

 

Toda superfície cria mistério.
O muro divide, proíbe, estanca,
não passa,
ou bloqueia: é tumba, é campa,
é tampa - não desce e não sobe.
Esse não permanente
aguça e lança:
                    e além? e embaixo?
e em cima? e dentro? e fora?
Cria o prazer de romper,
                    atravessar,
conquistar o outro lado
o ar, o ver
e amanhecer no mesmo horizonte.
 
                                        Quando corto e dobro
                                                  uma chapa de ferro
                                                  ou somente corto
                                        pretendo
                                                  abrir um espaço
                                                  ao amanhecer na matéria bruta
                                        luz que vela e revela
                                                  a comunhão do opaco
                                                  com o espaço dos astros
                                                                                   espaço
                                        que descobre o renascer
                                        redimindo a matéria pesada
                                                  na intenção de voar

 

Agora, duas escultura feitas por Amílcar:

 

Podemos ver a chapa de ferro, cortada e dobrada, a fim de ganhar sustentação no espaço, permitindo que permaneça em pé. Porém, ao reler o poema, percebemos o casamento das duas manifestações artísticas, sendo que ambas são do mesmo autor, como foi dito anteriormente.

É curioso imaginar Amílcar fazendo essa escultura pensando no poema ou, ao contrário, compondo seu poema tendo como inspiração a escultura.

Relendo o 1º verso da segunda estrofe "Quando corto e dobro uma chapa de ferro" logo lembramos da imagem da escultura.

Foi perfeita a relação feita pela professora.

* Bibliografia:

http://www.amilcardecastro.com.br/#

http://www.ucm.es/info/especulo/numero37/escultu.html

 

permalink

A poesia no teatro  escrito em quarta 21 outubro 2009 04:47

Blog de poesiaeoutrasmidias :Poesia e Mídia, A poesia no teatro

Em comemoração ao centenário de aniversário de Mário Quintana, a peça teatral Quintana in cômoda foi criada.

Adaptar é uma tarefa difícil. Transpor uma obra artística para outra é pior ainda. Contudo, não há uma teoria para essa transposição, pois cada obra é única. Cabe, então, ao roteirista e ao diretor promoverem a configuração poética. Sete poemas que se transformam em uma peça teatral. O espetáculo Quintana in cômoda tem roteiro criado a partir de poesias de Mário Quintana no ano do centenário de nascimento do poeta gaúcho. A peça teve estreia em 2006 e foi encenada pelo Teatro de Gaiola (RS). A companhia de teatro realizou várias apresentações por todo o Brasil, destacando-se enquanto espetáculo.

O poema Só para si deu origem ao nome da peça. Trata-se de uma cômoda gorda, fechada e egoísta que guarda em suas gavetas "coisas" de tempos passados. Dentre elas, três personagens. As "coisas" guardadas ganham vida e se transformam.

Quintana in cômoda tem a fusão de dois  elementos artísticos distintos: textos líricos e espetáculo teatral. Estes resultam em um movimento intenso que articula a linguagem cênica da poesia junto com os elementos do teatro. É a partir do poema Só para si que o  enredo é estruturado.

 

"Dona Cômoda tem três gavetas,

E um ar confortável de senhora rica.

Nas gavetas guarda coisas de outros tempos, só para si.

Sempre foi assim, dona Cômoda: gorda, fechada e egoísta."

 

No roteiro, o poema é dividido em duas partes: os três primeiros versos são os textos de abertura, e o último, o texto de encerramento. Os demais poemas são inseridos nesse espaço.

 

alt
Dona Cômoda

No espaço real e simbólico estão ocultadas "coisas objetos" e "coisas personagens", que se lançam para o lado exterior e procuram conhecer os outros.

 

alt
Primeira manifestação das “coisas personagens”.

alt
As “coisas personagens” se lançam para o mundo.

alt
Um exemplo da tradução da metáfora de Quintana: o cachecol transforma-se em cortina.

alt
Imagem poética criada pelos atores a partir da borboleta amarela, do poema Outono.

 

Alguns poemas, no espetáculo, são apenas ilustrados com a presença de objetos que aparecem na poesia de Quintana. É o caso da lata de sardinha que aparece no poema Mentiras.

 

"(...)

O trem descarrilhou. E o mocinho? Meu Deus!

No auge da confusão, levaram Lili para a cama à força.

E o trem ficou tristemente derribado no chão,

Fazendo de conta que era mesmo uma lata de sardinha."

 

O catavento também figura enquanto objeto. Na cena em que aparece, espalha o vento. Os atores, utilizando-se do som do vento, jogam com o sentimento de medo, situação que traz ao palco o poema Canção de vento e nuvem.

 

"Medo da nuvem

Medo medo

Medo da nuvem que vai crescendo

Que vai se abrindo

Que não se sabe

O que vai saindo

Medo da Nuvem Nuvem Nuvem

Medo do vento Medo Medo

Medo do vento que vai ventando

Que vai falando

Que não se sabe

O que vai dizendo

Medo do vento Vento Vento

Medo do gesto Mudo

Medo da fala Surda

Que vai movendo

Que vai dizendo

Que não se sabe...

Que bem se sabe

Que tudo é nuvem que tudo é vento

Nuvem e vento Vento Vento."

 

O poema Auto-retrato também é lembrado por meio de uma moldura, que se transforma em janela.

 

alt
Uma relação com o poema Auto-Retrato.


 

Uma outra forma de transpor elementos da poesia de Quintana é através dos diversos sons utilizados na trilha sonora do espetáculo. Um exemplo é o som dos grilos, presente no poema Noturno arrabaleiro.

 

"Os grilos... os grilos... Meu Deus, se a gente

Pudesse

Puxar por uma

Perna

Um só grilo

Se desfiariam todas as estrelas."

 

E do poema em prosa Os grilos:

 

"Toda noite os grilos fritam não sei o quê. A madrugada chega, destampa o panelão: a coisa esfria."

 

Como obra teatral, Quintana in cômoda propõe um espaço para o inter-relacionamento de ações e sensações que gerem conflito. Cada conflito faz com que o espectador conduza-se para outro conflito, até que este chegue a um ápice em que todas as necessidades sejam resolvidas.

 

alt
 Os conflitos se resolvem, e os personagens ao amanhecer, voltam para suas gavetas.

 

 

Ficha técnica

Roteiro: Ana Carolina Makki Dal Mas / Direção: Fabiano Tadeu Grazioli / Cenografia: Jolcinei Luis Bragagnolo / Figurino: Fabiano Tadeu Grazioli; Jolcinei Luis Bragagnolo / Thilha sonora: Fabiano Tadeu Grazioli / Iluminação: Ana Carolina Makki Dal Mas / Maquiagem: Grupo Teatro de Gaiola / Elenco: Adriano Massaro; Ana Carolina Makki Dal Mas; Tiago Luis Rigo.

 

Fontes: http://www.culturainfancia.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=877:teatro-e-poesia-uma-experiencia-no-mundo-de-quintana&catid=136:riscos-e-rabiscos-sobre-livros-e-leitura&Itemid=165

http://www.clicerechim.com.br/quntana.html

 

permalink

"Azulão" por Sandy e Marcelo Bratke  escrito em sexta 16 outubro 2009 10:22

Em dezembro de 2006 foi a vez de Sandy e Marcelo Bratke interpretarem o poema de Bandeira, Azulão. Sandy foi convidada especial do recital idealizado pelo pianista Marcelo Bratke no Auditório Ibirapuera.

 
  Ao lado, Sandy e Marcelo Bratke

A apresentação de Sandy e do pianista Marcelo Bratke agradou tanto que a dupla foi convidada para realizar uma performance em terras estrangeiras. O show ocorreu no Carnegie Hall, Nova York, e foi transmitido pela TV Cultura no Brasil.



"Os músicos sentem que poderão inserir a sua musicalidade - de música propriamente dita - naquela musicalidade subentendida por vezes inexpressa ou simplesmente indicada. Percebem que a sua colaboração não irá constituir uma superestrutura, mas que se fundirá com a obra poética intimamente: o poema e o seu análogo tonal se encaixam em perpétua aliança, como em Azulão." Andrade Muricy.







 

 

permalink
|

Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para poesiaeoutrasmidias

Precisa estar conectado para adicionar poesiaeoutrasmidias para os seus amigos

 
Criar um blog